Iluminismo: Características e Contexto Histórico

Contexto Histórico

Nesta aula iremos abordar o Iluminismo, suas principais características e o contexto Histórico. Em nossa aula anterior nós apresentamos uma definição parcial sobre o Iluminismo. Você aprendeu que o Iluminismo foi um movimento filosófico que entrou em rota de colisão com as características da Sociedade de Antigo Regime.

Ou seja, o Iluminismo combateu o Absolutismo, o Mercantilismo, os privilégios da Sociedade Estamental e a influência cultural da Igreja Católica.

Na aula de hoje nós vamos falar um pouco mais sobre o contexto histórico em que o Iluminismo se desenvolveu. Vamos começar localizando o surgimento do Iluminismo no tempo e no espaço.

Onde Surgiu o Iluminismo?

Em termos de localização no tempo o Iluminismo surgiu no século XVII e ganhou força e novos seguidores principalmente no século XVIII. Em termos de localização espacial o Iluminismo surgiu primeiro na Inglaterra e, posteriormente, na França. Portanto, podemos dizer que Inglaterra e França foram o berço do movimento iluminista.

Atores Sociais Envolvidos

É extremamente importante saber quais eram as partes interessadas em combater o Antigo Regime e em defender as novas ideias trazidas pelos pensadores iluministas.

Pela abordagem desenvolvida em nossa primeira aula podemos tirar a seguinte conclusão. Os únicos grupos sociais que concordavam com o funcionamento da Sociedade de Antigo Regime eram aqueles que se beneficiavam dela.

Ou seja, o rei, a nobreza e o clero não tinham nenhum motivo para desejar mudanças profundas no funcionamento da sociedade. Veja bem o porquê dessa situação.

Os Reis

O rei tinha praticamente todos os poderes políticos concentrados em suas mãos. Ele governava sem ter que consultar praticamente ninguém. Ele mandava e desmandava de acordo com sua própria consciência e quem tentasse desobedecê-lo era severamente punido.

O rei também comandava a economia. Com o Mercantilismo não havia liberdade econômica e as atividades comerciais mais lucrativas eram monopólio do rei, ou seja, somente o rei tinha o direito de explorar as atividades econômicas mais importantes e concentrar todos os lucros em seu próprio bolso, fortalecendo o seu poder, o seu exército e o seu Estado.

Clero e Nobreza

Nobreza e Clero eram os grupos privilegiados da Sociedade Estamental. Eles não faziam nenhum tipo de trabalho manual, não pagavam impostos e ainda havia leis especiais somente para eles.

Então, vamos repetir novamente. Os grupos sociais citados anteriormente (rei, clero e nobreza) não tinham qualquer motivo para lutar por mudanças sociais profundas. Só que tem um detalhe. Rei, clero e nobreza representavam entre 3% e 5% de toda a população na Inglaterra e na França. Ou seja, estamos falando da minoria da sociedade.

As Camadas Populares

Então, quem desejava mudanças em meio a este contexto histórico? A resposta é: mais de 90% da população. Quem desejava uma série mudanças era a parte da população que trabalhava, que pagava todos os impostos e que sustentava o exército do rei, o luxo da nobreza e a riqueza dos membros do clero. Estamos falando dos servos, dos camponeses, dos artesãos e da burguesia.

A Burguesia

O burguês vivia basicamente do comércio. A burguesia era o grupo social que enriqueceu explorando as atividades comerciais. A burguesia era um grupo social que possuía grande poder econômico. Porém, não tinha direito a qualquer tipo de participação política na Sociedade de Antigo Regime.

Ou seja, a burguesia não participava de nenhuma decisão tomada pelo rei e por seus conselheiros. Um dos pontos centrais da insatisfação da Burguesia era a ausência de liberdade comercial.

Enfim, uma sociedade de Antigo Regime

Conforme eu disse agora a pouco o rei explorava as atividades mais importantes em regime de monopólio e impedia o pleno desenvolvimento das atividades comerciais desenvolvidas pelos burgueses.

O rei fazia intervenções na economia com o único objetivo de fortalecer o poder do Estado e de seu exército. A riqueza acumulada pela política mercantilista do rei não era revertida em benefícios para o restante da população.

Toda esta riqueza era utilizada para financiar as guerras dos reis, para manter o luxo e o bem estar dos outros dois grupos privilegiados: nobreza e clero. Todo o restante da população (servos, camponeses, artesãos e burgueses) não tinha liberdade para expressar a sua insatisfação e nem o direito de demonstrar o seu desejo de mudança.

Foi a partir do século XVII na Inglaterra e, sobretudo, durante o século XVIII na sociedade francesa que as ideias iluministas ganharam as ruas e se espalharam por todos os lados, da cidade até o campo.