Revolução Francesa: A Vertente Política da Dupla Revolução que Abalou o Mundo no Século XVIII


O Que é Revolução Francesa?


Revolução Francesa foi um processo ocorrido entre 1789 e 1799, tendo como principal resultado a queda da monarquia absolutista e o fim dos privilégios do Clero e da Nobreza. A revolução também criou a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, o seu mais importante documento. Revolução Francesa

Assim sendo, estes são os temas que organizamos neste guia sobre a Revolução Francesa.

  • Dicionário da Revolução Francesa
  • Antecedentes da Revolução Francesa
  • Convocação dos Estados Gerais
  • A Tomada da Bastilha
  • O Grande Medo
  • Jacobinos e Girondinos
  • 1ª Fase – Assembleias (1789-1792)
  • DECLARAÇÃO DOS DIREITOS DO HOMEM E DO CIDADÃO
  • A Traição do Rei Luís XVI
  • 2ª fase Convenção Nacional (1792-1794)
  • A Fase do Terror
  • A Reação Termidoriana
  • 3ª fase Diretório (1794-1799)
  • A Conspiração dos Iguais
  • O Golpe 18 de Brumário 
  • Conclusão

Dicionário da Revolução Francesa

Antes de mais nada, estudar a Revolução Francesa de 1789 vai ficar muito mais fácil se você dominar o significado dos termos ou expressões selecionadas abaixo.

Portanto, analise-os com muita atenção.

Sobretudo, não se esqueça que ampliar o seu vocabulário irá capacitá-lo para interpretar e escrever textos com muito mais qualidade e produtividade.

Revolução

Na sua concepção política, o termo significa uma mudança radical, às vezes violenta, na forma de governo de um país. Entretanto, atualmente, revolução significa uma alteração importante na economia, na sociedade ou na cultura. Ou seja, pode haver revolução sem que haja a utilização do recurso da violência. A revolução no sentido de mudança violenta se aplica mais adequadamente à Revolução Francesa de 1789. Já quando falamos da Revolução Industrial isso não se aplica, pois a mudança se dissolveu ao longo de vários séculos, sem derrubar nenhum governo e sem ter o caráter da violência e do radicalismo concentrados em um curto período de tempo.

Terceiro Estado

Na França, durante a Sociedade de Antigo Regime, era a terceira das três ordens. Clero e Nobreza eram as duas primeiras ordens privilegiadas da sociedade. Em 1789 o Terceiro Estado reunia 97% de toda a população, enquanto clero e nobreza representavam, respectivamente, 1% e 2% do conjunto do grupo social.

República

Do latim o termo res publica significa coisa pública. Entretanto, desde a Revolução Francesa a República representa um regime político oposto à monarquia. A princípio, os governos republicanos tem como principal característica o Estado de Direito no qual os detentores do poder exercem o governo em nome do interesse geral e em virtude de um mandato cedido pela nação, que por sua vez, é a detentora do poder soberano.

Fase do Terror

O Terror foi um regime ditatorial ocorrido entre setembro de 1793 e julho de 1794, em que os revolucionários mais radicais tiveram como objetivo eliminar todos os inimigos da Revolução Francesa. Foi criado o Tribunal Revolucionário em Paris, responsável julgar sumariamente e enviar para a guilhotina o rei Luís XVI, a rainha Maria Antonieta, nobres, membros do clero e da burguesia e pessoas simples das regiões em conflito.

Sufrágio Universal

Trata-se de um sistema eleitoral no qual todos os cidadãos têm direito de votar e de se eleger como representante do povo. Quando se fala em sufrágio universal masculino significa que apenas os homens possuem este direito. Em outras palavras, o sufrágio universal favorece a participação popular nas decisões políticas.

Critério Censitário ou Voto Censitário

Sistema eleitoral no qual apenas os cidadãos capazes de comprovar renda mínima ou a posse de bens (propriedade privada) possuem direito de voto. Ou seja, só votam os cidadãos qualificados, selecionados entre os grupos mais ricos da sociedade. Em outras palavras, o critério censitário é o oposto do sufrágio universal.

Antecedentes da Revolução Francesa

A Revolução Francesa teve início em 1789 e terminou 10 anos depois. O conflito entre jacobinos e girondinos, bem como a perda dos privilégios do clero e da nobreza serão pontos de destaque neste post de blog.

Este foi um processo complexo, com várias revoluções dentro da revolução. Portanto, não é possível apresentar um único fator como o responsável pelo desencadeamento do movimento.

Por isso, vamos apresentar o contexto histórico vivenciado na França durante o século XVIII. O nosso objetivo é entender como os acontecimentos motivaram as reações da camadas populares.

Absolutismo

Revolução Francesa Rei

Em primeiro lugar, a França era a monarquia absolutista mais tradicional e respeitada da Europa. Sob o comando de Luís XVI o país se envolveu em várias disputas com a Inglaterra pela hegemonia comercial do mundo.

A França foi derrotada pela Inglaterra em praticamente todos os episódios. A mais grave dessas derrotas ocorreu na Guerra dos 7 Anos, entre 1756 e 1763.

O absolutismo francês entrou em choque com a difusão das ideias iluministas.

O Iluminismo defendia a liberdade de expressão e a divisão dos poderes políticos, assuntos inaceitáveis para as monarquias absolutas.

A Revolução Francesa foi um teste decisivo para o Iluminismo, uma vez que as ideias ilustradas foram colocadas em prática em situações reais.

Mercantilismo

O mercantilismo era a própria representação do Estado nos assuntos econômicos. Os agentes comerciais privados não podiam fazer um movimento sequer sem a autorização dos funcionários do rei.

Ou seja, os comerciantes estavam sob a pena de serem denunciados de quebra do monopólio e sofrer um julgamento injusto.

Desse modo, a burguesia não tolerava mais essa estrutura econômica e lutava para que a liberdade de comércio fosse estabelecida.

Sistema Tributário Injusto

Injustiça Social

A França tinha a sua organização social caracterizada por estamentos ou ordens sociais. Ou seja, era baseada em privilégios de nascimento estabelecidos desde o nascimento.

Desse modo, clero e nobreza representavam os grupos de elite da Sociedade Estamental.

Por consequência, cabia ao Terceiro Estado (ou Terceira Ordem) a pesada responsabilidade do trabalho manual e pagamento de impostos.


Embora fossem os mais ricos, os membros do Clero e da Nobreza estavam isentos desse pagamento. As reações populares foram tão violentas, em parte, por causa dessa sociedade injusta e desigual.

Incapacidade administrativa de Luís XVI e os elevados gastos com a Corte

Palácio de Versalhes França
Palácio de Versalhes na França, construído para abrigar a nobreza.

A grave crise econômica no final do século XVIII foi um dos principais motivos para o início da Revolução Francesa. Ainda que sérios problemas econômicos impedissem o crescimento francês, Luís XVI envolveu o país em inúmeras guerras.

Manter um país na guerra era e ainda é um empreendimento caríssimo, às custas de dinheiro público.

Ao envolver-se em tantas disputas o resultado não poderia ser outro, senão a quebra e esgotamento do cofre francês.

Para piorar a situação os nobres franceses tinham seu luxo custeado com o dinheiro dos impostos.

Assim, com as despesas maiores do que a receita, a França se viu em uma situação financeira catastrófica às vésperas do início do processo revolucionário.

Por isso, diante da grave crise financeira, o rei convocou Jacques Necker, homem de confiança em assuntos financeiros, para resolver a situação.

Necker, Ministro das Finanças, publicou os dados da economia francesa, demonstrando o enorme déficit em que o Estado se encontrava.

Além disso, ele sugeriu que a solução da crise financeira encontrava-se no pagamento de impostos por todas as ordens sociais.

Por conseguinte, isto implicava na destruição dos privilégios do Clero e Nobreza, pois eles eram isentos do pagamento de tributos.

Convocação dos Estados Gerais

Convocação dos Estados Gerais
Convocação dos Estados Gerais, Maio de 1789.

Nesse sentido, promover uma reforma econômica, eliminando os privilégios do Clero e da Nobreza, significava abalar a base do Antigo Regime francês.

Em contrapartida, os grupos beneficiados recusaram-se a abrir mão de suas regalias para ajudar na resolução da crise.

Por fim, a solução encontrada foi a convocação dos Estados Gerais. Esta assembleia era representativa de todos os estamentos ou ordens sociais.

Clero, Nobreza e os representantes do povo (Terceiro Estado) deveriam se reunir para decidir sobre as reformas na economia.

De um modo geral, os interesses eram bastante conflitantes. Entretanto, predominava o conservadorismo e a união do Clero e da nobreza para derrubar as reformas pretendidas por Necker.

É importante dizer que tradicionalmente a votação era feita por Estado ou Ordem social. Sendo assim, nada mais normal do que a união desses dois setores nos Estados Gerais para manter seus privilégios de nascimento.

Caso esta união fosse mantida o placar da votação seria sempre dois contra um.

É importante salientar que houve uma forte pressão por parte do Terceiro Estado (burguesia) para que a votação fosse individual, por cabeça.

O objetivo era explorar a sua superioridade numérica para acabar com as isenções tributárias do clero e da nobreza.

Todos Contra o Rei Luís XVI

Revolução Francesa-Hobsbawn A Dupla Revolução Era das Revoluções

Note-se aqui que a convocação dos Estados Gerais, nesse contexto, representava um forte ameaça ao poder de Luís XVI.

Ao mesmo tempo ele era contestado pela burguesia, pelas camadas populares na cidade e no campo, assim como acabava de perder o apoio do clero e da nobreza.

Ao perceber o seu enfraquecimento o rei dissolve a assembleia para evitar um desgaste ainda maior.

Todavia, a reação do Terceiro Estado aconteceu com a invasão da sala de jogos do Palácio de Versalhes. Este grupo afirmava que só abandonaria o local após a elaboração de uma constituição para a França.

Posteriormente, o Terceiro Estada proclama a Assembleia Nacional, pouco depois transformada em Assembleia Nacional Constituinte. O objetivo era estabelecer uma monarquia que limitasse o poder do rei.

Este foi o início efetivo da Revolução Francesa, que juntamente com a Revolução Industrial, formou a dupla revolução que alterou para sempre os rumos da humanidade.

A Tomada da Bastilha

A Tomada da Bastilha aconteceu em 14 de julho de 1789 e representa o marco inicial da Revolução Francesa. A Bastilha era uma antiga fortaleza medieval que se transformou em uma prisão do Estado Francês. Lá o rei prendia sem julgamento os seus opositores políticos, tais como escritores e panfletários. A prisão era o símbolo da arbitrariedade do rei. Em 1789 a Bastilha estava quase vazia, com meia dúzia de presos. Mas a multidão que promoveu a invasão não queria os presos, mas sim as armas de seu depósito.

Este fato histórico foi tão representativo que é considerado um dos marcos temporais da História tradicional. 14 de julho de 1789 representa o fim da Idade Moderna e o início da Idade Contemporânea.

O Grande Medo

Sem dúvida, outro momento que merece destaque é o Grande Medo. Este foi o momento no qual os camponeses se inseriram nas manifestações e revoltas populares contra o Antigo Regime francês.

Em outras palavras, o Grande medo foi a chegada da Revolução Francesa no campo, não mais se restringindo à cidade.

Com efeito, este fato desencadeou uma série de ataques contra castelos e saques nas aldeias. Diante dos acontecimentos os nobres fugiram de suas terras e procuram abrigo nas monarquias absolutistas vizinhas à França.

Em síntese, as revoltas ocorridas na cidade e no campo foram uma violenta reação contra a Sociedade de Antigo Regime.

Em outras palavras, estas foram revoltas contra a miséria, a opressão e os privilégios que caracterizavam a sociedade francesa no final do século XVIII.

Jacobinos e Girondinos

Durante a Assembleia Nacional Constituinte houve uma separação de grupos e seus respectivos interesses.

Aquilo que hoje chamamos de grupo político de esquerda e de direita surgiu durante a Revolução Francesa.

Os grupos de destaque, bem como seu posicionamento político, são apresentados a seguir.

Jacobinos (Esquerda)

  • Em primeiro lugar, os jacobinos defendiam os interesses da baixa burguesia e do povo.
  • Suas propostas eram universais, ou seja, lutavam pelo interesse da maioria (as camadas mais pobres da sociedade).
  • Os jacobinos tinham as suas ações caracterizadas pelo radicalismo político, de forma a destruir as bases tradicionais do Antigo Regime. Em outras palavras, eles eram contrários ao absolutismo, à sociedade estamental e à influencia do clero.
  • Da mesma forma, eles também defendiam declaradamente a divisão da propriedade privada.
  • Os bens do clero e da nobreza deveriam ser confiscados e depois distribuídos para o povo.
  • Além disso, os jacobinos defendiam o sufrágio universal masculino. Todo homem maior de idade poderia votar e ser eleito, sem a necessidade de comprovar renda mínima.

Planície (Centro)


Este grupo, sentado no meio da Assembleia, defendia os interesses da burguesia financeira. Dessa maneira, no centro, a planície ficava do lado de quem estivesse ganhando a disputa política.

Girondinos (Direita)

  • Primeiramente, os girondinos defendiam os interesses da alta burguesia (banqueiros).
  • Suas propostas eram individualistas, ou seja, preocupavam-se em preservar os interesses de seu grupo, mesmo que isso significasse prejuízo para a maioria.
  • Portanto, o girondinos eram contrários à radicalização política.
  • Eles defendiam a limitação dos poderes do rei, a liberdade de comércio e o fim dos privilégios do clero e da nobreza.
  • Entretanto, os benefícios da participação política e da liberdade comercial ficariam restritos à burguesia, devendo o povo ser excluído desse processo.
  • A título de exemplo, tudo isso fica evidente com a defesa do critério censitário por parte dos girondinos. Ou seja, apenas teriam direitos políticos aqueles que comprovassem renda mínima e posse de bens.

1ª Fase – Assembleias (1789-1792)

A primeira fase da Revolução francesa foi marcada por duas Assembleias, ambas sob o comando dos girondinos.

O objetivo nesse primeiro momento era desconstruir a base do Antigo Regime na França. Durante a Assembleia Nacional, em meio às revoltas camponesas que ocorriam em toda França, ocorreu a abolição dos privilégios feudais.

Sob o comando dos girondinos foi estabelecida também a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, um dos mais importantes documentos da Revolução Francesa. Este documento, entre outras coisas, estabeleceu a igualdade civil e jurídica no país.

A continuidade das realizações burguesas veio com a Assembleia Nacional Constituinte, responsável pela formulação da primeira Constituição francesa, em setembro de 1791.

Foi decretada a continuidade da monarquia na França. Porém, não se tratava mais de uma monarquia baseada no direito divino dos reis, mas sim um governo caracterizado pela limitação do poder do monarca, que governava ao lado de uma Assembleia Legislativa.

Ao mesmo tempo foi estabelecido o critério censitário e tripartição dos poderes. A Igreja Católica teve seus bens confiscados, além de ver criada a Constituição Civil do Clero, documento que subordinava a igreja ao Estado.

Caso dependesse dos girondinos a Revolução Francesa teria terminado aqui. Porém, ocorreu um aprofundamento do processo revolucionário. E isto estava diretamente ligado às ações secretas do rei e à intensa mobilização popular liderada pelos jacobinos.

DECLARAÇÃO DOS DIREITOS DO HOMEM E DO CIDADÃO

Os representantes do povo francês, constituídos em ASSEMBLEIA NACIONAL, considerando que a ignorância, o esquecimento ou o desprezo dos direitos do homem são as únicas causas das desgraças públicas e da corrupção dos Governos, resolveram expor em declaração solene os Direitos naturais, inalienáveis e sagrados do Homem, a fim de que esta declaração, constantemente presente em todos os membros do corpo social, lhes lembre sem cessar os seus direitos e os seus deveres; a fim de que os atos do Poder legislativo e do Poder executivo, a instituição política, sejam por isso mais respeitados; a fim de que as reclamações dos cidadãos, doravante fundadas em princípios simples e incontestáveis, se dirijam sempre à conservação da Constituição e à felicidade geral.

Por consequência, a ASSEMBLEIA NACIONAL reconhece e declara, na presença e sob os auspícios do Ser Supremo, os seguintes direitos do Homem e do Cidadão:

Artigo 1º– Os homens nascem e são livres e iguais em direitos. As distinções sociais só podem fundar-se na utilidade comum.

Artigo 2º– O fim de toda a associação política é a conservação dos direitos naturais e imprescritíveis do homem. Esses Direitos são a liberdade. a propriedade, a segurança e a resistência à opressão.

Artigo 3º– O princípio de toda a soberania reside essencialmente em a Nação. Nenhuma corporação, nenhum indivíduo pode exercer autoridade que aquela não emane expressamente.

Artigo 4º– A liberdade consiste em poder fazer tudo aquilo que não prejudique outrem: assim, o exercício dos direitos naturais de cada homem não tem por limites senão os que asseguram aos outros membros da sociedade o gozo dos mesmos direitos. Estes limites apenas podem ser determinados pela Lei.

Artigo 5º– A Lei não proíbe senão as ações prejudiciais à sociedade. Tudo aquilo que não pode ser impedido, e ninguém pode ser constrangido a fazer o que ela não ordene.

Artigo 6º– A Lei é a expressão da vontade geral. Todos os cidadãos têm o direito de concorrer, pessoalmente ou através dos seus representantes, para a sua formação. Ela deve ser a mesma para todos, quer se destine a proteger quer a punir. Todos os cidadãos são iguais a seus olhos, são igualmente admissíveis a todas as dignidades, lugares e empregos públicos, segundo a sua capacidade, e sem outra distinção que não seja a das suas virtudes e dos seus talentos.

Artigo 7º– Ninguém pode ser acusado, preso ou detido senão nos casos determinados pela Lei e de acordo com as formas por esta prescritas. Os que solicitam, expedem, executam ou mandam executar ordens arbitrárias devem ser castigados; mas qualquer cidadão convocado ou detido em virtude da Lei deve obedecer imediatamente, senão torna-se culpado de resistência.

Artigo 8º– A Lei apenas deve estabelecer penas estrita e evidentemente necessárias, e ninguém pode ser punido senão em virtude de uma lei estabelecida e promulgada antes do delito e legalmente aplicada.

Artigo 9º– Todo o acusado se presume inocente até ser declarado culpado e, se se julgar indispensável prendê-lo, todo o rigor não necessário à guarda da sua pessoa, deverá ser severamente reprimido pela Lei.

Artigo 10º– Ninguém pode ser inquietado pelas suas opiniões, incluindo opiniões religiosas, contando que a manifestação delas não perturbe a ordem pública estabelecida pela Lei.

Artigo 11º– A livre comunicação dos pensamentos e das opiniões é um dos mais preciosos direitos do Homem; todo o cidadão pode, portanto, falar, escrever, imprimir livremente, respondendo, todavia, pelos abusos desta liberdade nos termos previstos na Lei.

Artigo 12º– A garantia dos direitos do Homem e do Cidadão carece de uma força pública; esta força é, pois, instituída para vantagem de todos, e não para utilidade particular daqueles a quem é confiada.

Artigo 13º– Para a manutenção da força pública e para as despesas de administração é indispensável uma contribuição comum, que deve ser repartida entre os cidadãos de acordo com as suas possibilidades.

Artigo 14º– Todos os cidadãos têm o direito de verificar, por si ou pelos seus representantes, a necessidade da contribuição pública, de consenti- la livremente, de observar o seu emprego e de lhe fixar a repartição, a coleta, a cobrança e a duração.

Artigo 15º– A sociedade tem o direito de pedir contas a todo o agente público pela sua administração.

Artigo 16º– Qualquer sociedade em que não esteja assegurada a garantia dos direitos, nem estabelecida a separação dos poderes não tem Constituição.

Artigo 17º– Como a propriedade é um direito inviolável e sagrado, ninguém dela pode ser privado, a não ser quando a necessidade pública legalmente comprovada o exigir evidentemente e sob condição de justa e prévia indemnização.

A Traição do Rei Luís XVI

Execução de Luís XVI janeiro de 1791
Execução de Luís XVI, Janeiro de 1791.

Obviamente, a monarquia absoluta mais respeitada da Europa não aceitaria passivamente abrir mão de seus poderes tradicionais e hereditários.

Embora Luís XVI demonstrasse concordar com a limitação de seus poderes, ele e sua esposa Maria Antonieta transmitiram segredos de guerra para as monarquias aliadas ao absolutismo francês.

O objetivo era restaurar o absolutismo na França com a ajuda da Áustria, Prússia e Rússia. E assim, acabar com a Revolução Francesa.

Além dessas monarquias serem aliadas de Luís XVI, elas também viam seus países ameaçados pela possibilidade de difusão das ideias revolucionárias pelo restante do continente.

Quando a família de Luís XVI encontrava-se próxima à fronteira com a Áustria foi reconhecida e capturada pelos revolucionários. A partir desse momento inicia-se uma disputa entre Girondinos e Jacobinos em relação aos rumos da Revolução Francesa.

Os primeiros desejavam a ampliação das liberdades individuais, sem que houvesse grandes excessos ou radicalização por parte da população.

Já os Jacobinos pretendiam ampliar as conquistas populares e decapitar o rei traidor, o que de fato aconteceu em 21 de janeiro de 1793.

A partir desses acontecimentos a liderança da Revolução Francesa mudou de mãos. Agora era o governo Jacobino que estabelecia as novas leis e o funcionamento da França revolucionária.

2ª fase Convenção Nacional (1792-1794)

Jacobinos e República Francesa Liberdade Igualdade e Fraternidade

A segunda fase da Revolução Francesa, a Convenção Nacional, foi comandada pelo líder jacobino Robespierre.

Uma das primeiras realizações foi o decreto do fim do governo monárquico na França e o início de uma República. O governo jacobino teve como característica principal o aprofundamento da revolução, de modo que o povo também fosse beneficiado pela queda do Antigo Regime.

A Fase do Terror

Jacobinos e a guilhotina, a máquina de decapitações da Revolução Francesa.

Porém, o aprofundamento da Revolução Francesa aconteceu com o uso excessivo da violência contra todos aqueles que se opunham às determinações dos jacobinos, sobretudo de Robespierre.

Por essa razão este período também é conhecido como Terror.

A Fase do Terror foi a utilização do terrorismo, da violência extrema para eliminar todos os opositores políticos dos jacobinos. Terrorismo como instrumento de guerra política. Este foi o período mais sanguinário da Revolução Francesa, um aspecto extremamente negativo.

As principais medidas da Convenção Nacional foram as seguintes.

  • A criação de uma nova Constituição no ano de 1793, que substituiu o critério censitário pelo sufrágio universal.
  • O confisco e distribuição dos bens da elite para as camadas populares.
  • A Criação do Tribunal Revolucionário, responsável por investigar, prender e punir os opositores políticos dos jacobinos.


Nesse contexto os alvos foram os membros da burguesia, da nobreza e do clero que ainda não tinham fugido do país.

Os jacobinos também decretaram a Lei dos Preços Máximos, tabelando e limitando os preços dos gêneros básicos da alimentação. O objetivo era impedir que o povo passasse fome.

A universalização do projeto jacobino extrapolava os limites do território francês. Com a intenção de expandir os ideais de liberdade, igualdade e fraternidade eles estabeleceram o fim da escravidão nas Colônias francesas.

Em outras palavras, a Revolução Francesa acabava de ultrapassar os limites territoriais da Europa.

A Reação Termidoriana

O governo jacobino teve um forte apelo popular em virtude das leis criadas que favoreciam as camadas populares. Porém, tudo foi conquistado com extrema violência e à custa de excessos e radicalismos que amedrontavam o próprio povo.

Com o crescimento da oposição, Robespierre (líder dos Jacobinos) foi destituído da liderança da França em julho de 1794. Ou seja, os girondinos estavam de volta à liderança política na Revolução Francesa.

Termidor era um dos meses do novo calendário revolucionário criado pelos jacobinos, equivalente ao mês de julho no calendário gregoriano.  

Iniciava-se uma nova fase da Revolução Francesa, com características conservadoras.

3ª fase Diretório (1794-1799)

Acima de tudo, com o Diretório os girondinos voltam a comandar o Estado Francês. Este foi um período de grande instabilidade política devido às disputas pelo poder e às inúmeras revoltas populares que se espalham pelo país.

Os setores pobres arcavam com a alta dos preços e com a inflação devido ao desabastecimento alimentar. As atividades comerciais ficaram liberadas e sem restrições, favorecendo a burguesia.

A política do Diretório era, portanto, voltada aos interesses da elite. A seguir são apresentadas as principais medidas adotadas.

  • A criação da Constituição de 1795, marcada pelo retorno do critério censitário.
  • A prática do Terror Branco, que na verdade era uma revanche contra os jacobinos, alvos de prisões e execuções do novo governo liderado pelos girondinos.
  • O fim da Lei dos Preços Máximos, liberando o comércio no país.

A Conspiração dos Iguais

Um dos principais movimentos populares reprimidos pelo governo girondino foi a Conspiração dos Iguais.

Essa revolta exigia os seguintes pontos:

  1. Retorno da Constituição de 1793 com o sufrágio universal.
  2. Extensão da Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão de forma a garantir também a igualdade social e política.
  3. Estabelecimento de uma sociedade justa e sem privilégios.
  4. Em síntese, o movimento foi uma tentativa de restabelecer um governo popular na França.

O Golpe 18 de Brumário

Napoleão Bonaparte, a solução política dos girondinos
Napoleão Bonaparte, a solução política dos girondinos.

O Golpe 18 de Brumário foi uma estratégia da burguesia para se consolidar no poder e garantir as conquistas políticas e econômicas da Revolução Francesa.

De um lado, houve a derrubada do Antigo Regime. Do outro, procurava-se evitar a divisão dos benefícios da nova organização social com as camadas populares.

Mas era preciso controlar a instabilidade interna e cessar com os ataques externos promovidos pelos inimigos da Revolução Francesa.

Internamente ocorriam sucessivas revoltas provocadas por grupos populares de tendência jacobina, ameaçando diretamente as conquistas econômicas da burguesia.

Externamente as monarquias absolutistas representadas por Áustria, Prússia e Rússia nutriam o medo de que a Revolução Francesa se espalhasse pela Europa.

Para evitar que isso ocorresse formaram várias coligações para tentar invadir a França revolucionária e restaurar a monarquia absoluta.

Cabe salientar que esses países ainda contaram com o auxílio da Inglaterra, arquirrival dos franceses. A solução para esse complexo conjunto de problemas foi Napoleão Bonaparte, general que obteve significativas vitórias para a França no exterior.

Conclusão

O Significado de Napoleão Para a Revolução Francesa

Antes de mais nada Napoleão Bonaparte contava com amplo apoio popular. Ao mesmo tempo ele era forte para manter a estabilidade tão desejada pela burguesia.

A partir de 1799 Napoleão Bonaparte se transforma em líder da França e permanecerá neste posto até 1814. Ao contrário do que parece este não foi o fim da Revolução Francesa.

Muito antes pelo contrário, Napoleão irá espalhar os ideais da revolução e do iluminismo por toda a Europa.

Dessa forma, a partir da Europa a Revolução Francesa irá se expandir para o resto do mundo, com repercussões diretas sobre os processos de independência da América espanhola e portuguesa.

Esta fase ficou conhecida como Era Napoleônica ou Período Napoleônico.

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